Forrado de dinheiro só os bancos e o apê do Geddel e cia. Para os outros é corte de verba, desemprego e miséria. Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom - ABr

Brasil voltou 20 anos com a marcha-à-ré neoliberal PT-PMDB

Comemoração vazia fez Temer se enrolar

Mantega iniciou política recessiva com corte de investimento e arrocho

As comemorações (?) dos dois anos de governo Temer revelaram que seu suposto chefe, além de ser um corrupto, um incompetente e um elemento sem sentimento de país ou de povo – em suma, de pátria – é, também, um imbecil.

Não nos diga, leitor, que você já sabia?

Pois é, mas nós aqui somos um jornal. Temos que nos ater aos fatos. Que fazer? Então, vamos a eles. Começando pelo vídeo que o Temer gravou (clique para ver essa magnífica publicação oficial).

Diz o pessoal do Sensacionalista que esse vídeo é “a maior vergonha alheia desde a sequência final de ‘A Cinderela Baiana’”.

É mesmo. Com a agravante de que o vídeo de agora, em vez da Carla Perez, tem o Temer.

Com o país em recessão – até o índice de crescimento do Banco Central foi negativo no primeiro trimestre (v. matéria na página 2); com a total falência da marketagem sobre a “recuperação” econômica; com 13 milhões e 600 mil desempregados e mais 12 milhões e 700 mil subempregados; com a produção industrial em queda, com todas as atividades econômicas paralisadas ou afundando.

E, mais: com a popularidade de Temer competindo com a do maníaco do Parque; com ele correndo o risco, se aparecer em público, de despertar reações análogas às que despertam as ratazanas que saem do esgoto para a rua nos bairros populares; e com alta probabilidade de, ao fim do mandato, mudar-se compulsoriamente do Jaburu para Curitiba.

Com toda essa performance sensacional, Temer resolveu comemorar seus dois anos de realizações à frente do governo.

Aqui, nos dispensamos de fazer uma lista dessas realizações. Não foi para saber que o governo Temer é ruim que você começou a ler este artigo, não é mesmo, leitor?

Isso você já sabe, assim como 97% ou 98% dos brasileiros.

Até que o marketeiro de Temer, tão sagaz quanto o seu cliente, não errou inteiramente ao inventar o genial slogan “O Brasil voltou 20 anos em 2” (a vírgula depois de “voltou” era tão dispensável que o slogan foi cancelado, depois de todo o material confeccionado, que foi jogado no lixo, mais uma vez às custas dos cofres públicos).

O problema é que esse slogan é muito injusto para com o PT.

Não se pode subestimar a contribuição de Dilma – e do resto da quadrilha petista – na obra de Temer, que, aliás, é mera continuação daquela de seus aliados, que o colocaram na vice-presidência da República.

Inclusive, não se pode subestimar a contribuição de Lula, que apoiou inteiramente a obra da pupila.

No dia 31 de março de 2015, respondendo a algumas tímidas críticas ao estelionato eleitoral de Dilma, falando a sindicalistas da CUT e a alguns outros puxa-sacos, Lula apoiou completamente a política de Joaquim Levy, disse três vezes que era preciso fazer o “ajuste fiscal” – isto é, a destruição da economia, o aumento do desemprego, a transferência de renda dos trabalhadores e empresários produtivos para os bandidos do setor financeiro – e sintetizou a questão da seguinte forma: “a companheira Dilma tinha a necessidade de dar uma parada [na economia]”.

Que Dilma já estivesse fazendo isso desde 2011 – e que tenha prometido, tanto na campanha de 2010 quanto na campanha de 2014, fazer exatamente o oposto -, foram temas que Lula, obviamente, não tocou, e pela simples razão que o estelionato não era apenas de Dilma.

Porém, em 2015, Dilma não estava apenas fazendo uma “parada” na economia. Ela estava atirando o país no abismo, onde encontra-se até hoje. Mas Lula estava não somente apoiando, como falou, até mesmo, em “ajuste mais forte” que aquele que já estava arrasando o país. Por fim, disse: “Estão dizendo que o governo Dilma acabou, mas esperem, porque ela pode terminar melhor do que eu”.

Dilma terminou na rua da amargura – mas Lula, é inevitável lembrar, acabou na cadeia.

Realmente, ele tinha razão: pelo menos por enquanto, Dilma terminou melhor do que Lula. Mas não é propriamente uma vantagem – e é só por enquanto.

Se existe algo importante em Temer, é que sua deplorável figura explicita qual é a essência política e ideológica de Lula e seus sequazes.

Existe alguma diferença entre a política do PT – Dilma, Levy, com apoio de Lula – e a política de Temer e Meirelles?

Até os ministros parecem mais ou menos os mesmos. Qual a diferença do Kassab ministro de Dilma para o Kassab ministro de Temer? Ou do Padilha ministro de Dilma para o Padilha ministro de Temer? Ou de Moreira Franco ministro de Dilma para o Moreira Franco ministro de Temer?

Algum deles é pior como ministro de Temer do que como ministro de Dilma?

São exatamente os mesmos patifes num e noutro governo.

Quanto a Temer, é apenas uma nulidade rastejante – e não é aleatório que a sensação de repulsa que as pessoas de bem sentem diante dele, seja extremamente semelhante àquela que os seres humanos, em geral, sentem diante de um réptil ou de um verme.

Mas foi esse indivíduo que o PT tirou da sarjeta, para onde foi após a derrota de Serra, seu candidato em 2002, e, depois, em 2010, elevou-o à vice-presidência da República.

Na quarta-feira, o ministro Fachin abriu investigação sobre os R$ 40 milhões que a JBS passou para o PMDB em 2014. Não é um detalhe que esses R$ 40 milhões tenham sido passados para o PMDB a pedido do PT (v. matéria nesta página).

Lula e Dilma não se associaram a Temer porque eram melhores que ele.

Aliás, quem reinstalou, após o malfadado governo Fernando Henrique, a devastação neoliberal no Brasil, não foi Temer, mas o PT – a tal ponto que Lula colocou Meirelles no Banco Central e até concedeu impunidade a ele, elevando-o a ministro para que, através do famigerado foro privilegiado, fugisse da polícia, que investigava sua participação no escândalo do Banestado.

Depois, foi Dilma, já em 2011, com Mantega, que derrubou o investimento público e freou o crescimento.

Também foi ela que nomeou Levy ministro da Fazenda e deu inteiro apoio a uma série de aberrações que levaram sete milhões e 200 mil trabalhadores ao desemprego (o número de desempregados aumentou de 6,452 milhões no último trimestre de 2014 para 13,689 milhões no primeiro trimestre de 2018 – e não estamos contando, aqui, o número de subempregados, que são, na verdade, desempregados).

Que, agora, o PT finja que nada tem a ver com esse desastre, apenas mostra que o caráter de Lula & cia. também não é muito diferente de Temer & cia., que comemora o desastre como se fosse uma vitória.

Ambos, realmente, se merecem.

CARLOS LOPES

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