PROVA OU CONVICÇÃO? QUEM FARÁ O POWER-POINT DO TEMER?

“A Polícia Federal está convencida de que o ocupante do Planalto era o líder inconteste do grupo integrado por Eduardo Cunha, Henrique Alves, Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima.  Todos os grandes negócios do esquema careciam de sua anuência e de sua palavra final sobre o destino do butim, fossem eles com a JBS, com as  empreiteiras ou outras empresas”, diz a colunista Tereza Cruvinel; segundo ela, Temer apodreceu e era ele quem mereceria um power-point como o feito pelo procurador Deltan Dallagnol.

A poucas horas do novo depoimento do ex-presidente Lula a Moro, o MPF apresentou mais uma denúncia contra ele.  Não importa que seja “injurídica e imoral”, como disse a defesa, a criminalização de uma medida provisória oriunda do governo FHC, de incentivo à desconcentração regional da indústria automobilística.  Importante, para o Ministério Público, é o espancamento moral permanente do ex-presidente, com vistas à sua inabilitação eleitoral, já que a popularidade mostrou-se incólume aos ataques.  Vindo ontem, ela competiu com as revelações gravíssimas da Polícia Federal sobre Michel Temer,  que falam do recebimento de propinas no valor de R$ 31,5 milhões e o apontam como chefe da quadrilha do PMDB da Câmara,  organização que seguiu em atividade mesmo depois de sua posse como presidente.  O  grupo capitaneou o golpe de 2016, com ajuda do PSDB, da mídia e da omissão do STF.   Há material farto para que um procurador da escola de Deltan Dallagnol  produza agora um power-point,  como aquele dedicado a Lula, mostrando todas as conexões de Temer, as partidárias e as empresariais.  Mas não haverá, é claro, o power-point do Temer.

A Polícia Federal está convencida de que o ocupante do Planalto era o líder inconteste do grupo integrado por Eduardo Cunha, Henrique Alves, Moreira Franco, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima.  Todos os grandes negócios do esquema careciam de sua anuência e de sua palavra final sobre o destino do butim, fossem eles com a JBS, com as  empreiteiras ou outras empresas.  Ou com concessionários de portos, a exemplo do decreto que ele editou este ano, prorrogando concessões, negócio que é objeto de outro inquérito, fora da Lava Jato, que tem agora como relator no STF o ministro Roberto Barroso.

Com a entrega do relatório da PF ao STF, Rodrigo Janot ganhou mais elementos para a segunda denúncia contra Temer, restando saber o que fará amanhã o plenário do STF sobre seu pedido para que nenhuma denúncia seja apresentada com base na delação da JBS até que haja uma decisão sobre sua validade.  Vamos acreditar que o STF não chegará a este ponto, o de imobilizar o braço de Janot na disparada de sua última flecha, depois das trapalhadas na negociação do acordo com a JBS.  Se quiser, agora Janot pode até denunciar  Temer sem valer-se da delação da delação da JBS, tantos são os indícios de seus crimes, baseados em outras investigações.  Janot pode deixar de lado o caso de obstrução da justiça, baseado na conversa noturna com Joesley Batista,  na qual incentivou a compra do silêncio de Cunha e Lucio Funaro,  e centrar fogo na acusação de formação de organização criminosa.

Não tivesse o Brasil se transformado no paraíso dos cínicos,  não haveria governistas dizendo, como o servil deputado Beto Mansur, que a denúncia chegará à Câmara “fragilíssima”.  Pelo contrário, todos os sinais são de que agora, precisando salvar a honra da Lava Jato,  além de mandar prender Joesley,  Janot  apresentará contra Temer uma denúncia melhor fundamentada que a primeira.  A maioria governista, entretanto, não está interessada em consistência ou fundamentação.   Seu negócio, mais uma vez, será saber o quanto poderá cobrar de Temer, e o quanto ele ainda poderá pagar para salvar o pescoço.

Temer apodreceu e não sabe mas não é ele que está no centro da trama.  O que ele está recebendo são estilhaços, é a pólvora que sobra  da caçada que realmente importa à coalizão judiciária,  a caçada a Lula. Mas seu power-point, convenhamos, seria muito mais interessante que o feito para o ex-presidente.

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