“Os bancos vão se estruturar para ganhar em cima das novas leis e prejudicar os trabalhadores, diminuindo o número de funcionários”, diz Everton Gimenis, presidente do SindBancários. Foto: Guilherme Santos/Sul21
“Os bancos vão se estruturar para ganhar em cima das novas leis e prejudicar os trabalhadores, diminuindo o número de funcionários”, diz Everton Gimenis, presidente do SindBancários. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Três dias depois da sanção da reforma trabalhista, Bradesco e Caixa abrem planos de demissão voluntária

Gregório Mascarenhas

Dois grandes bancos que operam no Brasil – o Bradesco, segundo maior banco privado no país, e a Caixa Econômica Federal, maior instituição pública – reabriram, ontem, seus Programas de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE). O anúncio se deu depois da sanção, por parte do presidente Michel Temer, na quinta-feira passada (13), do projeto de Reforma Trabalhista aprovado pelo Congresso Nacional.

No caso do Bradesco, o anúncio aos trabalhadores se deu no mesmo dia da sanção presidencial. A abertura, por sua vez, aconteceu ontem e vale até o dia 31 de agosto. Não há, por parte do banco, a divulgação de metas de adesão, e, segundo a nota de abertura, o PDV “não afetará o elevado padrão de qualidade dos serviços prestados aos seus clientes e usuários”.

A Caixa, por sua vez, divulga que pretende alcançar 5,5 mil funcionários até o dia 14 de agosto. Trata-se, nesse caso, de uma reabertura, já que a instituição já havia aberto um PDV no começo do ano, com 4.429 participantes. A justificativa, de acordo com o banco, é que seria preciso ajustar-se à conjuntura econômica e ao cenário competitivo atual.

Sobre a possibilidade de mais bancos abrirem processos de PDVs, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, diz que, até este momento nenhuma outra entidade anunciou ações semelhantes, mas que “é possível ocorrer, até porque depois da aprovação da terceirização [das atividades-fim] e com a aprovação da reforma trabalhista, a tendência é os bancos tentarem diminuir seus quadros de funcionários. Os bancos vão se estruturar para ganhar em cima das novas leis e prejudicar os trabalhadores, diminuindo o número de funcionários”, avalia o sindicalista.

Gimenis diz que o objetivo, no caso do Bradesco, é diminuir o número de funcionários após a aquisição do HSBC Brasil, concretizada em julho de 2016. Ele diz que haverá fechamento de agências sobrepostas e diminuição de departamentos, por exemplo. “Para não dizer que estão fazendo uma demissão em massa, eles criam um PDV”, diz Gimenis. O Bradesco e suas subsidiárias encerraram março de 2017 com 106.644 empregados, um aumento de 15.249 postos de trabalho em relação ao mesmo período do ano anterior. O sindicato, todavia, alerta que o número de funcionários diminuiu, se observados o números da época da incorporação.

Na Caixa, diz Gimenis, o banco não chama concursados que estão, inclusive, processando a instituição. “Eles fazem um PDV atrás do outro. No último acharam que a adesão não foi suficiente, e então abriram outro”.

As metas de adesão, de acordo com o sindicato, são buscadas através da pressão aos trabalhadores. “Em bancos privados, os funcionários que se enquadram nos critérios de assinar o PDV e não saiam, provavelmente serão avisados que devem sair agora com um incentivo, ou, depois, sem. Eles definiram, no plano, quem são os prováveis alvos – certamente as pessoas mais antigas do banco – e vão pressionar essas pessoas”, diz Gimenis.

Ele avalia que, ao diminuir o número de funcionários, aumentam-se as filas e se precariza o atendimento. “É ruim para a população também, para os próprios usuários. É um contrassenso, pois o lucro dos bancos só aumenta”.

De acordo com o Dieese, há uma diferença de 60,5% a menos na remuneração de funcionários recém contratados em relação a quem pode participar dos programas de demissão voluntária.

Adicione um Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*